pensar processual, olhar orgânico

Método dos quatro passos

Apresentação sumária de um método cognitivo

O método dos quatro passos é uma conduta de investigação. Ajustada para evitar conclusões precipitadas, ele nos conduz a descobertas ‘objetivas’, pois parte do objeto, de sua fiel observação e dela se alimenta durante todas as etapas.

Poderá ser aplicado a um simples estudo, como também a um diagnóstico profissional ou até mesmo a uma pesquisa. Seu manuseio de início é um desafio, mas com o passar do tempo se torna propulsor de grandes descobertas. A repetição do método trará verdadeira firmeza em sua condução, levando finalmente à confiança nos resultados produzidos. Não se deve esperar um resultado rápido, leva tempo para dominarmos todo método.

Se as quatro etapas (objeto, processos, interioridade e arquétipo) forem vivenciadas diversas vezes e com seriedade, irão compor um instrumental cada vez mais acessível. É comum as repetições ampliarem o olhar gradativamente, surgindo assim uma nova compreensão pela teia da vida. Com o passar dos anos e a firmeza na condução do método, desenvolvemos um sólido olhar orgânico, como aquele que caracteriza a obra cientifica de Goethe.

Um resumo do método dos quatro passos

O método dos quatro passos consiste em preencher aos poucos a consciência cognitiva com imagens e relevos elaborados a partir do conteúdo observado, extraindo deles a essência procurada. É puro trabalho individual, mas recomendo apreende-lo na companhia de colegas aprendizes. Surpreende pela objetividade dos resultados elaborados, por exemplo num trabalho em grupo, quando pessoas bastante diversas conseguem elaborar arquétipos surpreendentemente equivalentes. Compõem-se das seguintes quatro etapas, que necessariamente devem ser percorridas nesta seqüência:

1º Passo: o objeto, observação atenta do/s fenômeno/s. Coletar a riqueza de detalhes e nuances que compõem cada fenômeno, sem pretensão alguma exceto a de observar com máxima atenção. Fazer um relato e/ou desenho do elenco das qualidades observadas, ainda sem conexão alguma.

2º Passo: os processos, integração dos aspectos e das qualidades observadas, compondo uma imagem processual, até que sejam identificados os processos geradores de tudo que foi observado. Integrar forma e função, criar o encadeamento das qualidades observadas em processos originários, eis o escopo deste 2º passo. Devemos partir em busca de imagens cada vez mais flúidas e vivas até abranger a totalidade do que foi observado. É preciso refrear a avaliação dos processos encontrados, que pertence ao passo seguinte. Será de grande ajuda desenhar os processos encontrados, ou, se for de habilidade pessoal, registrar estas imagens com anotações. Neste caso, os processos encontrados deveriam ser registrados em outra cor sobre o elenco das qualidades encontradas na etapa anterior, com poucas palavras e absoluta simplicidade.

3º Passo: interioridade ou relevância, avaliar as imagens com um sentimento calmo e contido. Não julgar. Conviver com os diferentes aspectos das imagens compostas, avaliando organicamente seu significado e sua importância. Significa respirar sobre a imagem composta no passo anterior, aproximar-se e afastar-se dela repetidas vezes. Suportar o vazio de uma resposta que ainda não veio e voltar a olhar pra ela, com infinita paciência. Gradualmente, com ajuda do sentimento, que neste passo se desenvolve como órgão cognitivo, os processos encontrados no passo anterior vão ganhando relevo, hierarquia e até mesmo essencialidade. Durante esta 3a etapa, é necessário checar se não estamos exagerando ou perdendo algum aspecto por simpatia/antipatia, empreendermos um esforço adicional para evitar o estreitamento precoce.

4º Passo: arquétipo, finalização, nomeação de uma essência. Para chegar à essência, tentamos formar um extrato, resumir em poucas palavras as imagens formadas e relevadas no passo anterior. Buscaremos, nesta 4a etapa, o caráter mais essencial de tudo que foi elaborado anteriormente. Podemos nos propor a resumir tudo em 3 frases, em tentativas repetidas. E destas três, escolher a frase mais essencial e subordinar as outras. A hierarquia formada se sustenta? Caso contrário, recomeçar mais atrás e fazer tudo de novo. Se, apos um bom tempo, nos contentamos com uma, duas, no máximo três palavras, elas poderão ser expressão do(s) arquétipo(s) encontrado(s). E o arquétipo é uma ideia capaz de gerar realidade. Por este parâmetro, podemos testar se a essência encontrada realmente possui a força necessária a um arquétipo.

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