pensar processual, olhar orgânico

Escultura e ‘Land Art’ com Rudolf Kaesbach (depoimentos)

Rudolf Kaesbach

“Foi quando perdemos a sensibilidade e o respeito pela paisagem que passamos a sofrer profundamente com sua rápida destruição. Alguns artistas do século 20
desenvolveram a “Land Art”; com o intuito de nos reconectar com a paisagem. Land Art, utiliza todos os elementos de arte para a ‘percepção’ do ambiente e da paisagem: as formas, os espaços, os movimentos; ou então as cores, os processos de
transformação da paisagem quando caminhamos. É preciso observar o detalhe como
também a vista mais ampla”.

“Depois disso vem a ação, a interferência: o que faria sentido ser criado para tal situação revelada artisticamente? É preciso ordenar algo caótico? Afrouxar algo muito denso? Proteger algo muito exposto? Equilibrar algo desbalanceado? Trazer tranquilidade para ume situação agitada? Precisamos “escutar” o que a paisagem
pede. Ao descobrirmos um ponto central, podemos criar espaços de quietude para que todos possam observar mais e melhor. Pois todos aspectos conversam entre si de modo constante, formando um organismo cheio de vida. Assim foi que descobrimos
Urubici e assim iremos descobrir a Chapada dos Veadeiros”!

“Precisamos olhar para o que há de novo na paisagem humana. Nossa exagerada conexão com aparelhos eletrônicos está nos transformando profundamente. Tudo
muda de um momento ao outro, ficou ainda mais apressado e a memória quase não existe mais. Onde foi parar a continuidade? Ainda sabemos viver com algo
organicamente, deixando um tema crescer, amadurecer? De certo tornou-se algo raro hoje em dia”.

“É onde reside o valor da arte durante uma imersão. Com a escultura, as pessoas podem se conectar com aquilo que elas criam. Ao longo dos dias elas têm tempo de
alterar, desenvolver e melhorar o seu trabalho, pois ele está lá, diante delas, ‘quietinho’. O sentir, a vivência e o coração tem espaço e tempo suficiente para se
manifestar em relação ao que se está fazendo e podem se tornar guias seguros para os próximos passos de ação na vida”.

“Este impacto do trabalho artístico é ainda mais forte quando é possível incluir o “efeito da noite” no trabalho. Deste misterioso ajudante, “a noite”, que nos traz propostas a cada novo dia, tão surpreendentes e inesperadas – para as perguntas que estou movimentando ao longo das aulas. Acho mesmo que este trabalho com arte abre um portal de ação, que as pessoas reconhecem ser ‘natural e precioso’!”

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