pensar processual, olhar orgânico

Dor e alívio no cerrado dos veadeiros

Manfred v. Osterroht

Conectar-se com uma paisagem por meio da arte e da observação, pode trazer um sentimento de pertencimento a esta Terra Brasilis tropical e exótica. Observar e
elaborar uma paisagem tão singular como o cerrado, irá despertar forças internas e externas. Na chapada dos veadeiros encontramos uma janela que vai da terra até o céu. Sua vegetação, castigada há muito tempo pelo fogo, pode ser sutil, delicada e facilita o olhar para cima. Cada paisagem, forma uma obra de arte a ser desvendada.

Nas rochas encontramos o alvo quartzito que reflete a luz do sol por mil pontinhos cintilantes. O olhar atento logo descobre muita beleza por entre as formas retorcidas das copas e das marcas do fogo que há por todo lugar. Tufos de folhagens que se adensam ao quase-cactus, brotações espiraladas que pretendem alcançar o céu, flores em pencas rodeadas de meliponídeos, formando um mosaico microcósmico de arrancar suspiros. É um mistério (ao céu aberto) atrás do outro, inspirando um olhar orgânico e criativo.

Depois do esforço, deliciosas cachoeiras e lagoas naturais nos refrescam e vitalizam. A tarde, o conteúdo coletado se transforma em atividades artísticas orientadas por Rudolf Kaesbach. É quando tomamos conta do lugar pelas janelas internas que se abrem, até nos sentirmos “em casa”.

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