pensar processual, olhar orgânico

Caminhar … respirar … meditar!

Manfred v. Osterroht

Ao caminhar não me desloco pura e simplesmente. Toda caminhada é um convite aos meus sentidos para perceber a paisagem ao meu redor de múltiplas maneiras. De um
lado, de outro, de cima para baixo, de baixo para cima, à distância, bem perto, os mesmos objetos (rochas, florestas, campinas, montanhas, riachos, colinas, vales,
fendas, cânions) são percebidos pelos mais variados pontos de vista.

Desta forma a caminhada pode ser um belo exercício de percepção viva, conduzindo a um olhar orgânico tal como a vida nos pede. Não é incrível? Que um exercício físico
conduza ao enriquecimento de minhas percepções? Que ser humano é este? Que ativado numa polaridade (motora) enriquece também a outra (sensorial)! E da viva
interação das duas faz nascer um sentimento de profunda satisfação! Sentimento, que reside no rítmico, no pulsar de coração e pulmões.

Se nos observarmos atentamente ao caminhar, perceberemos que, ao subir uma encosta, todo organismo participa desta ‘percepção’. Os músculos das pernas se
empenharão mais para vencer o aclive, o calor gerado faz brotar o suor, o coração bate mais ligeiro e a respiração se agita para dar conta do morro. Inspiramos o ar com
maior intensidade! Todo nosso organismo ‘percebe’ e interage com a subida, unindo-nos à paisagem de um modo orgânico. Nos apropriamos dela quando a percorremos
não apenas com o olhar, mas com nosso corpo quente em movimento.

Nesta atividade plena somos puro ritmo e abrimos a possibilidade de inspirar a paisagem e de expirar nosso ser. Abre-se uma passagem entre o dentro e o fora e
experimentamos a rara satisfação de pertencer um pouco mais a esta terra iluminada por este céu. Pode ocorrer então, que espontaneamente façamos uma leitura
relacionando às paisagens externas às internas. Elas conversam entre sí. Eis nosso método de trabalho durante as caminhadas de observação na chapada dos veadeiros.

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